Autismo pode ser diagnosticado aos 6 meses de vida

 Victória Guimarães

Cientistas do Departamento de Psiquiatria da Universidade da Carolina do Norte, no Estados Unidos, descobriram que o autismo pode ser diagnosticado em crianças com idade inferior a um ano. A pesquisa foi publicada no periódico científico Nature.

Para reconhecer o transtorno antes mesmo de aparecerem os sintomas visíveis, os pesquisadores analisaram 106 crianças, dos 6 aos 18 meses de idade, que já tinham na família irmãos mais velhos com a doença.

Através da ressonância magnética, a equipe pesquisadora notou uma superfície cerebral maior já aos 6 meses. Por conseguinte, o volume cerebral das crianças teve um aumento significativo, uma das características do transtorno. Os testes conseguiram prever com 80% de acerto quais as crianças que desenvolveriam o autismo.

Segundo o neurorradiologista e especialista em neuroimagem, Dr. Emerson Gasparetto, “diversos estudos na literatura têm investigado o papel da ressonância magnética na avaliação de pacientes com doenças neuropsiquiátricas, incluindo o autismo. Diversas áreas cerebrais com alteração do volume ou espessura já foram descritas. Algo que é mais relevante neste estudo é que eles avaliaram os irmãos ou as irmãs dos pacientes com autismo e encontraram as mesmas alterações, o que pode ser um marcador potencial para diagnóstico menos tardio.”

A doença que normalmente é identificada a partir dos 2 anos, foi detectada de forma prematura, proporcionando um avanço para o paciente. “O diagnóstico mais precoce, antes mesmo das manifestações clínicas da doença, com certeza abre espaço para se investir mais em novas formas de tratamento e em uma intervenção mais antecipada”, completa Gasparetto.

De acordo com a Organização das Nações Unidas, 1% da população mundial tem autismo, o correspondente a 70 milhões de pessoas. Um dos grandes desafios é quebrar as barreiras sociais e capacitar os que vivem em torno do paciente para que o mesmo tenha um percurso natural.

 

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