Ausculta narrativa é utilizada como ferramenta no tratamento de pacientes

Victória Guimarães

 

Receber o diagnóstico de uma doença e ser o portador desta notícia é um dos contatos de maior evidência na relação médico-paciente e terapeuta-paciente. Contudo, este contato não deve ficar somente na superfície.

Alinhar empatia e histórias de vida ao conhecimento teórico e utilizá-los na área da saúde como ferramenta de trabalho foi um dos temas abordados na palestra Ausculta Narrativa – Aprendendo com as histórias dos pacientes, oferecida pelo Departamento de Medicina da PUC-Rio, no último dia 14 de fevereiro. Ministrada pela psicóloga clínica e terapeuta de família Ana Luiza Novis e pela especialista em Clínica Médica e terapeuta intensiva Lorraine Veran, a palestra atraiu profissionais de diferentes áreas interessados em conhecer mais sobre o assunto.

O evento começou com as duas profissionais da saúde compartilhando suas experiências com a narrativa aplicada ao seu ambiente de trabalho: “não precisamos literalmente ter vivido o que o outro viveu para entender. Fazemos a conexão pela emoção. Se alguém conta uma história triste que acabou de viver, eu não preciso ter passado por aquilo para entender o que é tristeza. Porque eu tenho na minha história referências sobre o que é tristeza. Nesse momento, começamos a trocar e a dar sentido ao que está sendo compartilhado”, destacou a professora Ana Luiza Novis.

O exercício da ausculta e a troca de narrativas, traz benefícios para os pacientes e para os profissionais da saúde. Segundo a terapeuta Lorraine Veran, “a doença muda a narrativa comum de uma vida. A condição patológica traz novas reflexões e novos pensamentos. A doença mexe com algo muito precioso que é o tempo vivido e o tempo que está por vir”.

Inspirada pela Terapia Narrativa, a prática da Ausculta Narrativa revela uma nova forma de dialogar com o problema, colocando-o fora do paciente para o mesmo se relembrar o que ele é. A psicóloga Ana Luiza Novis aponta que “o paciente não é diabético. Ele convive com a diabete. Ele não é simplesmente um diagnóstico, ele é muito mais do que isso”.

As palestrantes lembram que para médicos, terapeutas e outros, extrair experiências de vida dos pacientes e compartilhar as suas, influencia diretamente na vida profissional. Com a hegemonia da tecnologia, demanda excessiva de trabalho e pressões do dia a dia, o profissional não fica imune ao trabalho realizado de forma mecanizada, à estafa e outras doenças relacionadas ao estresse e ao esgotamento físico e mental, como a síndrome de burnout.

Aferir a emoção e apurar a sensibilidade em cada caso de cada um dos pacientes é essencial para a manutenção da vida profissional, desta forma o amor pela prática não fica desestimulado.

Ana Luiza Novis e Lorraine Veran finalizaram a palestra deixando um exercício para os participantes de como manter a ausculta apurada e como resgatar a arte terapêutica através das palavras.

O tema será aprofundado em um curso de extensão oferecido pelo Departamento de Medicina da PUC-Rio. Ausculta Narrativa: ampliando as narrativas na arte do cuidar está com inscrições abertas para profissionais de saúde: estudantes a partir do 5° ano, médicos, fisioterapeutas, enfermeiros e psicólogos. As aulas começam em março. Mais informações e inscrições no site www.cce.puc-rio.br.

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